Uma Lenda…

O povo tem como certo que entre Chão do Pereiro e Horta da Nogueira está enterrada uma pele de boi cheia de libras de ouro. E há ainda muita gente que espera encontrá-la. O tesouro está encantado e pertencerá a quem sonhar três noites seguidas com o sítio exato, sem nada dizer acerca do sonho. A pele já está rota de as cabras lhe passarem por cima, mas, por causa do encanto, ninguém a vê.
Assim consta que até hoje nenhum astuto descobriu o tesouro!

Como tudo começou!

A  história do Alvito da Beira, começou assim:

“Após a terrível Batalha de Alcácer Quibir, em Marrocos, em que perderam a vida o nosso desejado rei D. Sebastião e todos os vinte mil soldados que estavam com ele em 1580.
Perdemos assim a independência, Filipe I de Espanha começou a reinar em Portugal, seguiu-se Filipe II e Filipe III, reinou durante um prazo de 60 anos.
O rei de Espanha deu o titulo de Marquês ao conde do Alvito do Alentejo, como dote deu-lhe todos os terrenos de Frauga (nome da aldeia na altura).
O Duque de Silveira, construiu uma capela no lugar que chamamos hoje de Ladeira do Santo, onde existe o Cruzeiro, (a obra de ordem religiosa daqueles tempos). Como ele era Lourenço, deu-lhe o nome de S. Lourenço, o Santo Padroeiro da aldeia. Teve na capela cerca de 300 anos. A capela foi mandada construir num ponto alto de Frauga que avistasse Sarzedas.
Tudo pertenceu ao dote do Marquês. Tudo isto era Selva, o Marquês a mando do rei mandou pelautar milhares de castanheiros e oliveiras, mas os castanheiros foram corroendo com a doença da tinta.
Os primeiros habitantes de Frauga, hoje Alvito da Beira, foram 7 casais de Isna de Oleiros. Em 1640 quando D. João IV restaurou Portugal, retirou o titulo ao Marquês de Sobreira Formosa, por este ser desfavorável ao rei. O Marquês do Alvito entregou Frauga a um visconde de Oleiros, representante do rei.
E assim chamamos a aldeia hoje em dia de Alvito da Beira, e como se pode verificar, estando nós em 2015 o Alvito tem assim 435 anos de História. Até 1921 o Alvito pertenceu à freguesia de Sobreira. A partir daí ficou Freguesia. Já em 2013 passou a ser União de Freguesias de Sobreira Formosa e Alvito da Beira.”

Depoimento de António Ribeiro Fróia
(habitante da aldeia)

Um pouco de história

“Reza a História que o topónimo “Alvito” deriva do baixo latim “Villa Alvitus”, sendo “Alvito” um antropónimo de origem germânica (Alvith, príncipe hérculo do séc. VI). Contudo é provável que a fixação do nome pessoal “Alvito” ao local onde anteriormente já foi freguesia, só tenha ocorrido no inicio da nacionalidade. Quanto ao segundo elemento toponímico “Beira” serviu na altura da criação da freguesia (1920) para a diferenciar de outras povoações do mesmo nome que existem no país, referindo-se assim à região em que se insere.

Certamente muito factos históricos aconteceram como pouca repercussão na evolução desta aldeia perdida no sopé da Serra dos Alvéolos, mas houve um que marcou profundamente aqueles que a vivenciaram, visível no testemunho oral que se foi repercutindo até às gerações atuais, sendo as Invasões Francesas.

Na sequência do Bloqueio Continental, as tropas francesas comandadas pelo general Junot invadiram Portugal. Passaram a fronteira portuguesa no dia 19 de novembro de 1807 e entraram em Castelo Branco por ser o caminho mais curto, desconhecendo as dificuldades.

Por onde passaram os invasores destruíram culturas, roubavam tudo quanto encontravam, igrejas, casas, principalmente comida.

A caminhada prosseguiu até Abrantes dia 23, Golegã dia 27, Cartaxo dia 28 e na manhã de dia 29 de novembro chegaram a Lisboa – foi a 1ª Invasão Francesa.

Quatro anos de guerra deixaram Portugal numa situação quase miserável. As invasões e a ocupação francesa devastaram grande parte do país, especialmente a norte do Tejo.

Perdida e esfumada fica a parcela de história, já que não existem memórias nem pessoas que a lembrem.” (Cunha, 2011:13)

Fonte: Livro: Memórias do Alvito da Beira; Revisitar as raízes, os costumes, e a formosura dos afetos de Luisete Ribeiro Pinho Silva e Cunha
1ª Invasão Francesa
Trajetos das Invasões Francesas

Falar da minha aldeia é falar do mundo!!

“Mas todo o semeador semeia contra o presente. Semeia como vidente a seara do futuro, sem saber se o chão é duro e lhe recebe a semente.”
Canção do semeador, Miguel Torga, Nihil Sibi, 1948

Como todo o semeador, também eu semeio a seara do futuro… E nada melhor como começar no início do mês e no início da semana com um novo projeto!
Projeto este que me vai levar ao baú das recordações e memórias mais antigas e também as atividades e tradições mais recentes da minha aldeia. Que apesar de ser pequena em tamanho é grande no meu coração!
Foi desde criança que esta aldeia, cheia de recantos, tem feito de mim a mulher que sou hoje. E é lá que sempre encontro o sentido de paz e liberdade. Aldeia esta a que chamamos hoje de ALVITO DA BEIRA. Uma pequena aldeia do distrito de Castelo Branco, concelho de Proença-a-Nova.
Pequena! Sim!
Mas é na simplicidade que se vê toda a grandeza!

Espero que gostem!

Mónica Serrano